Compliance: uma estratégia exclusiva para grandes empresas. Será?

Durante décadas, o compliance foi tratado como um tema exclusivo das grandes empresas. A evidência empírica, porém, demonstra o contrário.

Estudos sobre pequenas empresas revelam um padrão preocupante: fraudes internas ocorrem em diferentes setores, geralmente praticadas por empregados e gestores de nível intermediário, permanecem ocultas entre 1 e 12,5 anos e geram prejuízos consideráveis. Em alguns casos, as perdas foram suficientes para levar o negócio ao encerramento de suas atividades.

O dado mais preocupante é a causa. Os estudos apontam comportamentos recorrentes dos proprietários: confiança excessiva nos colaboradores, contratações baseadas em relações pessoais, concentração de atividades em uma única pessoa, baixa segregação de funções e controles informais.

A literatura internacional também demonstra que pequenas empresas apresentam maior exposição a riscos como:

• fraudes em contas a pagar, folha de pagamento e faturamento;
• desvios de recursos para contas pessoais;
• manipulação de estoque e caixa;
• burla de controles internos;
• registros inadequados e outras formas de má conduta.

Observe que esses riscos não são exclusivos das grandes corporações. Eles decorrem da forma como o negócio é administrado.

Por essa razão, compliance não deve ser compreendido como uma estrutura destinada apenas às empresas de grande porte. Trata-se de uma metodologia de gestão aplicável a qualquer organização que deseje reduzir riscos, fortalecer controles e aumentar a previsibilidade de suas decisões.

As medidas preventivas também são consistentes na literatura: segregação de funções, processos formais de aprovação, monitoramento contínuo, treinamento, verificação prévia de colaboradores e fortalecimento da cultura de integridade.

O principal aprendizado é simples: Fraudes raramente começam pela ausência de um controle. Elas começam quando a confiança substitui a gestão de riscos. Por isso, compliance não é um luxo reservado às grandes corporações.

Para pequenas empresas, representa uma estratégia de proteção da continuidade do negócio. Mais do que cumprir exigências legais ou regulatórias, significa estruturar uma governança proporcional ao porte da organização, baseada na gestão de riscos, em processos confiáveis e em controles compatíveis com a realidade da empresa.

Essa é a diferença entre cumprir formalidades e utilizar o compliance como instrumento de gestão para preservar valor, fortalecer a governança e assegurar a continuidade do negócio.

Barbara Ferreira
Advogada, Especialista em GRC e PLD, Auditora Interna, Gestora de Privacidade.

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Alizabeth Anne

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